Artigo interessante sobre Assessoria de Imprensa
Apesar de discordar do posicionamento que o professor Ianhez (um dos representantes mais importantes da classe de Relações Públicas no país) teve frente às críticas tecidas por uma profissional da área no fórum Mundo-RP (que teve um tom pessoal e intimidador), encontrei esse artigo muito bom sobre a atuação dos jornalistas como assessores de imprensa, publicado no site ABN no começo deste mês (03/02/2006).
Grifei alguns trechos interessantes, que merecem uma reflexão mais aprofundada de nossa parte, Relações Públicas.
Relações Públicas e Assessoria de Imprensa
Artigo de João Alberto Ianhez
Consultor de Relações Públicas e Presidente do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (Conferp)
Esta é uma questão que envolve a ocupação de espaços de outras profissões e a ética: Relações Públicas e Assessoria de Imprensa.
Nos Estados Unidos e em países da Europa existem restrições ao exercício concomitante das duas funções: assessor de imprensa e jornalismo. Quando uma pessoa que tem registro de jornalista vai trabalhar numa empresa de Relações Públicas, ou numa assessoria de imprensa, ela está impedida de trabalhar em um veículo de imprensa e perde, temporariamente, seu registro de jornalista.
Apenas como esclarecimento, para os leigos, a Assessoria de Imprensa não se destina a escrever matérias para serem enviadas para os veículos de imprensa, com o objetivo de serem publicadas, Nem, necessariamente, preparar sugestões de pauta. A função real dessa atividade é convencer o jornalista e o veículo de imprensa que representa, de preparar uma matéria, fazer uma entrevista, dar cobertura a um evento, sem tirar a independência dele e do veículo de imprensa que representa. O ideal é que essa função seja exercida por pessoas neutras, que não possam ter influência nos veículos de imprensa a não ser pelo valor dos fatos, das informações que trazem e a importância das mesmas como notícias.
Hoje, os veículos de imprensa estão abarrotados de lixo, textos e sugestões de pautas enviadas pelas assessorias de imprensa, que atuam fora de uma visão macro e estratégica da comunicação empresarial. Existem entre essas chamadas “sugestões de pauta” verdadeiras descrições de produtos, ressaltando todas suas qualidades, com abundância de adjetivos. Isso é marketing, é propaganda, é promoção de produtos, não assessoria de imprensa. Nos principais órgãos de imprensa, a abordagem é pessoal, sugestões de pautas só para matérias secundárias. O contato pessoal é que vale para matérias de peso. As matérias, entrevistas e reportagens ocorrem naturalmente por relacionamentos bem conduzidos da organização, por seu trabalho integrado na construção de um conceito forte e fundamentado na realidade de suas ações, no reconhecimento público.
Querem colocar assessoria de imprensa como função privativa dos jornalistas, enquanto o bom senso e a ética dizem que o jornalista que migrar para a assessoria de imprensa deve perder, enquanto permanecer nessa função, o registro e o direito de atuar em um órgão de imprensa. Bom senso e ética está na decisão sábia e fundamentada do Tribunal Superior do Trabalho: “Assessor de imprensa não exerce atividades típicas de jornalistas, pois o desempenho dessa função não compreende a busca de informações para a redação de notícias e artigos, organização, orientação e direção de trabalhos jornalísticos, conforme disciplinado no artigo 302, § 1º, da CLT, Decreto Lei nº 72/69 e Decreto nº 83.284/79. Atua como simples divulgador de notícias e mero repassador de informações aos jornalistas, servindo apenas de intermediário entre o seu empregador e a imprensa”. (Processo Nº TST – RR – 261412/96. 5).
As legislações existentes nos EUA e em países da Europa, como França e Portugal, também entendem assim.
Colocam, portanto, a assessoria de imprensa, como deve ser, como atividade subordinada ao foco e interesse dos leitores e do valor para os mesmos do que se pretende divulgar.
Diferentemente da maioria que fala sobre este assunto, eu posso falar com conhecimento de causa, pois vivo esse mercado desde 1962. A atividade de Relações Públicas foi à pioneira nessa área. Assessoria de Imprensa teve início no Brasil como integrante dessa atividade, como ainda é em organizações que têm a visão macro da comunicação e adotam Relações Públicas. Não quero dizer que o jornalista não possa atuar na assessoria de imprensa, mas para isso deve deixar de ser jornalista, ou melhor dizendo, deve estar impedido de exercer a profissão em um órgão de imprensa, como ocorre em outros países.
Para Relações Públicas, a imprensa é um público, em seu segmentado quadro de públicos relevantes. Portanto, exercida por este ou aquele profissional, a assessoria de imprensa é parte do composto de Relações Públicas.
Fonte: Agência Brasileira de Notícias - ABN





Um comentário:
Acredito que a defesa da profissão Relações Públicas foi feita de forma impecável. Gostaria, no entanto, de ressaltar que, em alguns casos, a imprensa se beneficia, e muito, dos assessores de imprensa enquanto estes são jornalistas. Por dois fatores: confiabilidade, no caso do assessor ter sido ex-colega de trabalho, e saber que este é ético suficiente para repassar esta ou aquela informação. Ou seja, não está apenas querendo vender o produto e/ou cliente e emplacar releases nos meios de comunicação; e, em segundo lugar, por facilitar o trabalho de pesquisa do jornalista, que geralmente, com as redações enxutas, não tem tempo (ou paciência...) de levantar questões relevantes em relação a esta ou aquela matéria. Aí, recorre a dois ou mais lados do assunto em pauta. Como assessor de imprensa, respeito muito os colegas Relações Públicas, que diversas vezes se mostraram muito éticos em seus posicionamentos. Só não acredito que o jornalista assessor de imprensa tenha que se licenciar da profissão (jornalista) para atuar neste segmento; sem dúvida, deve, enquanto isto, se licenciar da atividade jornalística dentro das redações.
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